Entendendo os tipos de efeitos mais usados na produção musical

Tempo de leitura: 6 minutos

E aí pessoal!
Espero que estejam todos muito bem.

Hoje quero falar sobre os efeitos que são comumente usados nas produções musicais e o resultado que pode ser obtido com eles.

Na verdade, grande maioria dos efeitos que existem hoje nos processadores e pedaleiras são simulações de efeitos acústicos, que foram e ainda continuam sendo fenômenos da natureza, do mundo em que vivemos e que inclusive é estudado pela própria física.

No nosso dia-a-dia, estamos sempre produzindo sons em diferentes ambientes e percebendo como esses sons se propagam.
Já teve alguma vez que você tomando banho de chuveiro começou a cantar e ficou impressionado, como se realmente estivesse cantando bem afinado?
Esse é um tipo de efeito bastante comum que ocorre tanto em banheiros quanto em outros lugares grandes como ginásios e salões.
Ou então, situações em que você estava diante de um grande morro e falou algo como: “oi!” E escutou novamente o “oi” repetidas vezes.
Esse talvez é mais conhecido que o outro. Costuma ser denominado pelas pessoas como um eco, o que não deixa de ser verdade; porém, ambos os efeitos não produzem exatamente o mesmo eco e recebem a mesma denominação de forma errônea, dando a entender que ambos são repetitivos.

O primeiro deve ser chamado de Reverb, ou então, de forma mais literal para a língua portuguesa, reverberação.

Nos presentes dicionários, consta que a reverberação é o ato de brilhar (luz) ou refletir (calor).

É quase semelhante o que acontece depois que o som é gerado, em virtude das paredes que possuem naturalmente materiais refletores e que conseguem fazer o som refletir.
Ele bate nas paredes próximas, no chão, no teto… E acaba voltando como um monte de réplicas do mesmo som em tempos diferentes.
Isso faz com que ele acabe por ser mais constante, contínuo.
O decaimento do reverb (decay) vai depender muito do tamanho da sala.
É por isso que existem vários tipos de reverb, desde o curto (small room) até os mais longos (hall).
Como o reverb consegue ser muito influente, acabou sendo um dos primeiros efeitos de embelezamento sonoro a ser amplamente usado, já que dá a sensação de preenchimento principalmente em músicas com poucos instrumentos.
Vai me dizer que não é bonito um piano sozinho soando numa sala de conserto, ou um órgão de tubo em uma igreja, né? ?

Hoje praticamente se usa reverbs digitais gerados a partir de processadores de efeitos tanto de hardware como de  software. Mas antigamente próximo aos estúdios, haviam lugares reservados e projetados para que o efeito pudesse ser emitido e captado acusticamente.
.
Eram grandes salas que tinham caixas de som recebendo o áudio proveniente do estúdio ou do lugar onde se faziam as gravações, além dos microfones que captavam de longe o som ambiente e que mandavam de volta para o estúdio. Com certeza era uma engenhoca aquilo.... Tudo interligado apenas para produzir o tal efeito, quando a tecnologia estava ainda engatinhando.

Outras alternativas mais rudimentares de produzir reverbs era com base em peças físicas e móveis.

Otipo mola (usado em amplificadores de guitarra) e o tipo plate (característico das gravações antigas, como muitas do estilo Jovem-guarda e outras da década de 60).
Ouça essa música do The fevers – Mar de rosas:

e também Giane – Dominique:

Preste atenção no reverb e veja como ele é bem metálico.

Bem, agora vamos ao segundo efeito! O famoso eco!

Esse efeito é conhecido atualmente pela expressão delay.

Traduzindo novamente de forma literal, delay (do inglês) significa atraso.

É muito simples: Você fala “oi!” O som tenta se propagar, mas bate nas rampas e em outros obstáculos e acaba voltando.
E sabe o que é mais interessante? O som que você ouve, que é a repetição do som original, faz o mesmo percurso…. Bate na rampa e, como não tem mais onde se propagar, volta; desta vez a uma distância um pouco maior, que significa o enfraquecimento do eco ou mesmo o término da repetição sonora. Por isso é chamado de delay.
O delay está indicando o tempo que o som leva pra voltar, sendo um dos parâmetros básicos de um processador de delay.
Delay também é a expressão usada para se referir ao atraso na comunicação por voz via internet, ou ainda, no tempo que um processador leva para processar os dados.

O delay foi o primeiro efeito que a tecnologia conseguia imitar, ainda com bastante precariedade.

Na música, o efeito serviu como inspiração para dar asas à criatividade.
Por exemplo, o canto yodo ou yodel(jodler como é mais conhecido na Alemanha e muito utilizado no estilo Volksmusik), provém do eco das montanhas que ocorria quando os alpes alemães se comunicavam.
Tiveram então a ideia de usar o fenômeno como um elemento de contraponto, como pode ser observado nas músicas de Franzl Lang.
Foi daí que se adotou o uso do efeito também de forma rítmica nas músicas e com a manipulação dos canais individuais, tanto do direito (right) quanto do esquerdo (left). Isso acaba criando por exemplo um “efeito ping pong”. Ouça um exemplo disso neste remix de Dalas Company – Galera de Cowboy:

Preste atenção já no começo da música o “ping pong” do delay de acordo com o ritmo.

Será que os fissurados por áudio iam ficar tão loucos assim e colocar uma caixa de som instalado em algum morro, no alto de uma montanha ou em algum lugar possível de ser utilizado pra interligar, captar e mandar de volta pro estúdio só pra gravar o efeito? ?

Explicado os dois efeitos, podemos concluir que o reverb nada mais é do que milhares de fragmentos pequenos de delays em variações de tempo diferentes.

você saberia dizer agora qual deles é verdadeiramente um eco?
E a tecnologia?

A tecnologia transformou o delay e o reverb em efeitos digitais, sendo a base para que fosse possível manipular as ondas sonoras na criação de novos tipos de efeitos; alguns inclusive, com base nos que já existiam.

Por exemplo, é fantástico quando você fica parado de pé em algum lugar aberto e, de repente, passa um avião em cima de você lá no alto, dando a sensação de que ele vai cair na sua cabeça.
É mais ou menos essa a sensação que se tem ao ouvir um efeito do tipo flanger, que dá uma aparência de “som entubado”.
Também é um efeito de vários delays curtos com variações periódicas de tempo, geralmente entre 10 a um milésimo de segundo.
O Phaser funciona quase da mesma forma, mas a variação é ainda menor (entre zero e um milésimo de segundo).
Falando assim parece difícil entender, mas depois que você ouve e se acostuma fica fácil.

Por fim, vou falar agora de mais três efeitos também muito utilizados na produção musical:  O Chorus, o pitch e o equalizador.

Traduzindo para o português, chorus quer dizer "coro".

Quando se pensa em coro na música, o que será que vem à mente?
Se você acha que é um “coral”, é isso mesmo, você acertou.
Pense num grupo de 20 vozes solfejando a nota dó.
Qual é o resultado?
obviamente, um som uníssono. Mas existe uma pequena variação de tempo e de afinação.
E é isso que dá a sensação de um som mais gordo ou cheio. Também é daí que surgiu a expressão “backing vocals”.
São vozes cantando a mesma coisa em tempos e afinações milimetricamente diferentes.
No caso os processadores de chorus fazem uma simulação disso, como se houvesse várias pessoas cantando.

O Pitch é um efeito de rotação que também mexe de alguma forma na afinação e, consequentemente, na velocidade do som.

O primeiro uso do efeito (muito divertido por sinal) era nos aparelhos de toca-discos e fitas cassete.
Lembro que brincava muito com isso na infância, metendo o dedo na rodinha que havia dentro do cabeçote dos tocadores de fita para diminuir a rotação, alterando a afinação para baixo e tornando mais lenta a reprodução.
Hoje já existem pitchs inteligentes com a possibilidade de ajustar por oitava, por intervalo, tons e semitons, além de algoritmos que alteram a afinação sem mexer na velocidade e vice-versa.
É daí que surgiram os harmonizadores vocais, afinadores e outros tipos de efeitos que usam o pitch diretamente, mas de uma forma muito mais sofisticada e com resultados mais convincentes.

O Equalizador certamente é um tipo de efeito que sempre terá em um sistema de som decente, mesmo que tenha só os controles de grave e agudo.
Ele permite que você ajuste o volume de determinadas frequências. Nosso ouvido consegue identificar facilmente essas diferenças na faixa de 20 HZ a 20 KHZ, tanto que o equalizador também pode ser usado para editar, modificar timbres e dar uma outra cara ao som.
O bumbo da bateria está muito grave? Simples: Basta dar um high pass, ou seja, abaixar um pouco o volume de frequências graves deixando passar as frequências mais acima.
Os controles disponíveis dependem muito do tipo de equalizador.
Os mais comuns são os equalizadores gráficos com controles deslizantes e de várias bandas, todas correspondendo a uma frequência diferente.
Equalizadores paramétricos permitem um controle ainda maior como a amplitude, ou seja, o quanto as frequências vizinhas serão afetadas.

Deu pra perceber a possibilidade que existe na mão de um produtor musical com esses efeitos?

É claro que ainda existem outros que poderei falar em outros posts, porque esse já está grande. ?

Bom, espero que tenham gostado. Qualquer coisa, postem algo nos comentários!

Deixa eu ir ali refrescar a cuca um pouquinho.
Um forte abraço pra todo mundo!

. Nenhum comentário em Entendendo os tipos de efeitos mais usados na produção musical. Categoria: música e tecnologia. Palavras chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , .

Sobre mim

Sou tecladista, pianista e graduado como produtor fonográfico pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), além de qualificado profissional em composição e arramjo e técnico em instrumento musical pela faculdades EST de São Leopoldo.

Seja o primeiro

Seu feedback é muito importante. Deixe um comentário!