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O nascimento do midi e a história dos plug-ins

Olá pessoal!

Faz tempo que eu não postava por aqui, né?
Sempre assim... o Gabriel posta algo, depois some, depois posta outra e some de novo... Que coisa, não?
Pois é, nesse meio tempo estava terminando de construir o que faltava para o site, além da correria com faculdade e trabalho; agora posso fazer isso com mais tranquilidade, já que está tudo encaminhado e funcionando do jeito que deve.
Vamos para o post de hoje?

Você já imaginou como os produtores faziam para gravar um grupo enorme de orquestra enquanto acompanhavam a cena já gravada dos filmes?

Difícil até pensar em como se conseguia ter tanta concentração do papel que cada instrumentista teria de desenvolver nas trilhas, ao mesmo tempo prestando atenção nos cenários que apareciam numa tela grandíssima para deixar tudo sincronizado.

Podemos citar como exemplo os filmes de Star-Wars, que apesar de serem quase todos daquela época, tiveram suas trilhas gravadas por um grupo imenso de orquestra.

Com certeza não era tão impossível de ser feita, mas dava muito trabalho.

Havia uma certa demora na produção dessas trilhas, fato que talvez explica o porque os filmes demoravam muito para serem lançados. Mas a tecnologia veio para resolver este e muitos outros problemas.

Antes de conhecermos a história dos instrumentos virtuais e o que são, é preciso saber como foi possível gerar notas musicais com o que existia naquele tempo.

Como isso poderia ser possível, já que a multimídia ainda estava engatinhando?

Diante desta situação, uns malucos aí (diga-se de passagem) de algumas empresas do japão e de outros países, resolveram criar o que a gente conhece hoje como Midi.

"Midi? Que diabos é isso?!?!?"

Calma, ainda não falei grego. Vamos lá:

Inicialmente, o midi (sigla para Musical Instrument Digital Interface, do inglês) surgiu através das primeiras placas de som para computadores, em que era mandado codificações representando as notas musicais e a interface conseguia gerar o som dessas notas com bastante precariedade, claro.

Esta técnica inclusive é usada até hoje por placas de som mais atuais e robustas através de arquivos midi.

"Mas eu pensei que os arquivos midi fossem como os arquivos de música!"

É, pensava. Os arquivos midi, por si só, não fazem nada. A única coisa que contém dentro deles são uma sequência de instruções.

Essa sequência é lida por um software player qualquer, que envia essas informações diretamente para a placa de som, que por sua vez interpreta e as decodifica, gerando a sequência de sons que foram instruídas nesse arquivo.

Nele, também são indicadas outros comandos, como por exemplo o tipo de instrumento a ser executado.

Os sons que eram gerados após a decodificação era e continua sendo até hoje das próprias placas de som.

Interessante, né?

Você já experimentou dar uma olhadinha no que geralmente está escrito nesses arquivos, trocando suas extenções para poder visualizá-los num editor de texto puro como o bloco de notas ou o notepad, por exemplo?

É, isso mesmo que você leu. Arquivos midis são textos puros, só contém comandos codificados.

Abaixo vai um exemplo que mostra exatamente isso:

"MThd # # # xMTrk # ÿY# ÿQ##ï‘ ÿX##### ÿ/ MTrk A# ÿ##Piano 1&À °]# [P
Yb%Wb Db Tb Mb =b Y 6Rb Ub T W $Wb#Tb R U ?M W #Rb Ub T D #= U R Db JbPb"

Retirei isso de um arquivo midi, que obviamente contém muito mais do que o que foi colocado acima, mas acho que deu para você perceber que, conclusivamente, são como se fossem partituras codificadas.

A primeira linha de código até que não nos parece tão ininteligível, pois já de cara nos apresenta a palavra "piano" que está indicando que as notas deverão ser reproduzidas com som de piano.

Podemos concluir assim que, na área da informática, as placas de som foram as primeiras a reproduzir sons sintetizados, juntamente com os primeiros teclados e outros instrumentos sintetizadores.

Foi quando novamente tiveram uma brilhante idéia vinda de malucos (rs) de implementar no midi um esquema que permitisse a execução desses comandos que você viu acima em realtime (tempo real), para que o som fosse gerado instantaneamente.

Isso explica basicamente como funcionam os teclados até hoje.

Como?

Simples.....:

Só pelo fato de apertar as teclas do instrumento, já faz com que seja gerado dentro dele esses comandos para serem decodificados e então por fim gerar o som próprio do teclado.

Coisa de maluco, né? rs.

O som midi é conhecido até hoje por tentar imitar os instrumentos de forma bem precária para aquela época e rasoável para um uso caseiro nos dias de hoje. Além disso, esteve dominando os celulares com aqueles toques polifônicos, lembram? é, era midi!

Coincidentemente, os celulares passaram quase pelo mesmo processo de evolução até conseguir reproduzir a música gravada que se ouve hoje. Antes disso reproduzia toques monofônicos (ringtones), ou seja, só podia tocar uma nota de cada vez.
Isso também aconteceu com o primeiro e enorme sintetizador feito antes da existência de teclados eletrônicos, o tão conhecido e famoso Moog , desenvolvido por Robert Moog.
O sintetizador era monofônico e o Albun que se tem conhecimento com os sons dele, teve que passar por uma gravação de 8 pistas separadas para colocar mais do que uma nota ao mesmo tempo.
Já naquela época (distante ao tempo em que o mesmo aconteceu com os toques dos primeiros celulares),Keith Emerson
(um exímio tecladista, que fez pelos teclados o que Jimi Hendrix fez pela guitarra), teve conhecimento do sintetizador, ficou encantado com sua sonoridade e já queria usá-lo ao vivo, nos palcos.
Robert Moog, o músico e engenheiro, o desaconselhava, porque pensava que seria de utilidade apenas em estúdios, por ter instabilidades na afinação.

Não existia manual de montagem e uso do equipamento e vários adicionais, como os módulos, vinham separado.
Mas, pela insistência do grande músico, surgia o Minimoog, uma versão mais compacta do seu irmão mais velho, que deu origem aos outros sintetizadores e também aos teclados eletrônicos.

À medida em que tudo foi evoluindo, também melhorava cada vez mais a precisão para sintetizar o som do instrumento desejado da forma mais idêntica possível.

Neste processo de evolução é que o processamento de áudio começava a surgir em grande estilo.
Os teclados já contavam com memória suficiente para reproduzir timbres fiéis e próximos dos instrumentos acústicos; hoje com possibilidade para processamentos adicionais, por exemplo, gravação em áudio de uma execução de música, com efeitos variados, que pode ser facilmente copiado para o computador, editado, masterizado e gravado em cd.

O computador, que até então era usado para tarefas muito peculiares e particulares, aos poucos teve que ser aprimorado.

E em meio a tudo isso, mais um grupo de malucões de uma empresa alemã conhecida como Steinberg resolveu inovar, criando uma interface que permitia simular efeitos que eram comumente utilizados por outros hardwares em estúdios, como processadores de efeito e pedaleiras.
Aos poucos, alguns desses equipamentos citados deixaram de ser frequentemente usados.

Hoje, basta por exemplo plugar uma guitarra e/ou um violão elétrico e mandar o sinal de áudio para um computador com um software rodando a interface, que o mesmo efeito é fielmente reproduzido como se estivesse vindo do equipamento.

No final das contas, aproveitando o embalo que deve ter causado, os expertinhos tiveram a ideia também de desenvolver uma nova plataforma para possibilitar a execução de instrumentos reais pelo computador usando o nosso bom e velho conhecido midi já explicado, em conjunto com algum outro instrumento musical que fosse midi, como teclados por exemplo, que atuariam agora como se fossem controladores.

Controladores? Que que é isso?

Explicarei sobre isso num próximo artigo.

Mas, os teclados, que foram os primeiros a serem feitos para tentar reproduzir os instrumentos, em especial acústicos, seria realmente usado agora para simplesmente enviar comandos codificados em tempo real para um software, que os interpretaria e executaria, ao invés do som midi, o seu próprio som, no caso o instrumento tal como ele soa, gravado por diversas vezes com inúmeras amostras sonoras em diferentes ângulos de captação.

Parece incrível!

E agora quase que não é mais necessário ir atrás dos instrumentos desejados para alcançar o perfeito realísmo, basta um computador e um teclado.

O instrumento será reproduzido como se você estivesse na frente dele tocando, ou como se alguém tocasse na sua frente.

Se bem que tem gente que também pensa ao contrário.

A quem prefira gravar os instrumentos de fato, indo atrás deles e de seus instrumentistas , pois certamente pensam que algumas amostras podem ser perfeitamente reproduzidas se vindas diretamente do instrumento.

De fato, podem existir algumas nuances que talvez só são bem reproduzidas apartir do instrumento tal como ele é e tal como soa.

Mesmo assim, com essa grande invenção, os produtores e músicos não precisam mais depender sempre do instrumento para poderem alcançar a sonoridade do mesmo.

Na produção de trilhas para cinema, não é mais necessário contratar uma orquestra inteira, basta ter todos os instrumentos no pc e saber como sequenciá-los usando o teclado e softwares de produção musical!

Eu mesmo tive que fazer um trabalho de fim de curso, onde o objetivo era fazer uma trilha adaptada para uma cena do filme "perfume de mulher".
Fiz mantendo algumas características da música original chamada "Por Una Cabeza" de Carlos Gardel.
E aí, tive que contratar uma orquestra pra gravar pra mim.
Mentiiiiira!
Fiz tudo sozinho em casa, com instrumentos virtuais, logicamente com trocentas amostras de gravações do instrumento que eu precisava.
O resultado?
[VIDEO::HTTPS://www.youtube.com/watch?v=BnCcZIuLSIo]

E aqui termina a história de toda essa grande revolução tecnológica

Graças a todos esses acontecimentos, novas alternativas estão a disposição para se fazer música.

O limite? Bem, isso vai da criatividade da pessoa!

aah! e antes que eu me esqueça, as duas plataformas também receberam suas siglas como no midi. A primeira é chamada de VST (virtual studio tecnology) e a segunda se chama VSTI (virtual studio instrument tecnology).
a primeira é para efeitos e a segunda para instrumentos virtuais, dos mais variados possíveis, acústicos e eletrônicos.

E a quantidade de instrumentos possíveis que podem ser reproduzidos com uso de computador é imensa, que já existe plug-ins que te dão a possibilidade de conhecer, brincar e usar os primeiros dois importantes sintetizadores que falei acima, o Moog e o Minimoog.
Esses são da fabricante Arturia

Bom, espero que tenham gostado, grande abraço e até mais!